Finalmente consegui visitar o Kosovo. Amigos de uma organização de Novi Sad convidaram-me na sua visita de estudo ao Kosovo.
Não querendo entrar na história do Kosovo neste momento, para isso podem ler algo na net ou wikipedia, gostaria apenas de mostrar as minhas impressões sobre a estadia no Kosovo.
As cidades visitadas foram Pristina e Prizren.
Pristina é a capita do Kosovo. A palavra para descrever Pristina é Caos. Pristina é uma cidade relativamente recente que sofreu um boom populacional nos últimos anos, duplicando a população nos últimos 10 anos. Devido à não existência de regulamentos, a cidade de Pristina é uma confusão de ruas e ruelas, edifícios construídos ao calhas. De momento Pristina é caracterizada também pelo pó e pela lama pois tudo está em obras, qualquer rua está a ser alcatroada ou renovada, o transito tornou-se caótico. A sua população é basicamente albanesa, cerca de 98%. Mas a situação geral é calma e não houve problema nenhuma em falar sérvio ou inglês nas ruas.
A próxima visita foi Prizren. Prizren é uma cidade completamente diferente. Prizren é uma cidade histórica e com história, com arquitectura e com um ambiente próprio. Prizren é uma cidade totalmente multicultural com um terço de população sérvia-bósnia, um terço albanesa e um terço turca. É fácil ver as três línguas escritas em qualquer esquina, em qualquer toldo. Facilmente se ouve as três línguas e as pessoas falam na língua em que se está mais confortável. A população acima dos 25 anos, ou seja, que viveu durante a Jugoslávia e Sérvia, sabem sérvio pois era ensinado na escola. Facilmente se entra numa loja e se pode dizer "Boa tarde" em Sérvio que as pessoas respondem. Uma criança aprende uma destas línguas como segunda língua na escola primária também, para além de aprender com os amigos na rua. Outro exemplo da multiculturalidade de Prizren é o facto de ver Mesquitas, igrejas católicas e ortodoxas lado a lado.
Durante a nossa visita visitamos Dusan Grad, um complexo histórico que serviu de fortaleza e mais tarde de mosteiro e que contém o tumulo do imperador Dusan da Sérvia. Este local foi atacado durante as manifestações de 2004 no Kosovo, e que de momento é protegido pela KFOR alemã. Se a actual necessidade de protecção é questionável, na altura existiam forças da KFOR que nada puderam fazer, foi construído basicamente um pequeno forte onde umas duas dezenas de tropas estão ali estacionadas a fazer...nenhum. Quem nos abriu o portão era um miúdo com uns 18-19 anos com uma arma do tamanho dele e dentro das tendas via-se o resto das tropas a jogar matraquilhos ou na internet.
Um outro ponto de visita foi a sede da EULEX, the rule of law from Europeon Union. A missão das Nações Unidas, UNMIK, foi praticamente substituida pela missão da UE, a EULEX, que tenciona facilitar e ajudar o processo de implementação de um sistema judicial e policial no Kosovo, fornecendo juizes e forças policiais e combatendo o crime organizado e corrupção. Após a chegada foi-me apresentado o chefe de protocolo da EULEX que é português (não consegui encontrar o nome dele no site da EULEX) e tivemos uma interessante conversa com algumas autoridades da EULEX.
A posição da EULEX não é fácil pois o sistema judicial é caótico e, embora não seja o pretendido, a EULEX tomou controlo de várias instituições judiciais em vários locais no Kosovo. O objectivo da EULEX é facilitar e ajudar as autoridades locais mas caso estas não consigam controlar a situação a EULEX toma controlo por si própria. Esta posição é algo polémica por ambos os lados do conflito, até internamente da EULEX. Entretanto a EULEX tem de usar as best-practices da UE quando mesmo dentro da UE a situação e independência do Kosovo não é unânime. Posto isto tudo a EULEX não é uma organização politica e não tem nada a ver com o reconhecimento do Kosovo pela Sérvia e comunidade internacional embora a sua actuação facilite este processo pois facilita o funcionamento do Kosovo como um pais independente.
Para acabar, a história dos carimbos no passaporte! Como o Kosovo não é reconhecido pela Sérvia, a fronteira no lado da Sérvia não é uma fronteira, é uma zona administrativa. Se fosse chamada fronteira seria o reconhecimento de que se estaria a passar para um país estrangeiro! Sempre me foi dito que caso fosse ao Kosovo não deveria obter um carimbo Kosovar no passaporte pois poderia obter problemas ao voltar à Sérvia, e caso acontecesse deveria entrar e sair pelo mesmo local.
Devido a um mal entendido na fronteira kosovar, os passaportes foram carimbados. Sinceramente já me habituei a ter a "arrogância" de que nada poderá acontecer a um cidadão com passaporte da UE! Durante a visita à EULEX foi levantado o alarme de que poderia haver alguns problemas a voltar na fronteira Sérvia e que deveria usar o BI pois já era possível entrar na Sérvia com BI da UE à alguns meses. E assim foi.
Ao voltar, na fronteira Kosovar foi carimbado o carimbo de saída (normal) e na fronteira Sérvia a situação foi exposta e os agentes lá até se riram pois o problema já não se colocava e o carimbo era apenas ignorado. E assim entrei na Sérvia com o meu BI e com dois carimbos do Kosovo no passaporte.
Passado umas semanas viajei para a Hungria apresentei o passaporte na fronteira Sérvia, como habitualmente, e com curiosidade do que iria acontecer. O agente, ao folhear as páginas, pára na página com os carimbos do Kosovo, arregala os olhos, pega no telefone e diz "Daj mi anulator!", que é como quem diz "Traz-me o anulador". Passado uns segundos um outro agente aparece com um carimbo, dá o carimbo ao primeiro agente e este, traz traz, carimba-me o passaporte. Quando o recebo vou a ver e tenho dois carimbos, um por cima de cada carimbo do Kosovo, que dizem "Anuller". Que é como quem diz, os carimbos do Kosovo foram...anulados!
Ora não vou entrar em discussões sobre a autoridade que um estado tem para anular um carimbo de outro estado, ou mesmo o que é anular um carimbo! Só sei que tenho dois carimbos do Kosovo anulados o que aposto que será algo bastante raro num passaporte português!
5 de novembro de 2010
Economia e educação
Deparei-me com duas excelentes palestras presentes na RSA (Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce).
A primeira, por David Harvey, fala-nos da crise económica e das suas razões, sejam económicas ou culturais.
Esta palestra tenta explicar o porquê da crise e as suas consequências culturais. Também explica a razão corrente do capitalismo.
Como se sabe, o capitalismo necessita duma circulação de dinheiro continua e de um aumento de consumo continuo. Logo as pessoas necessitam de um continuo aumento de dinheiro disponível para o poder gastar. Como indicado isto foi efectuado não por um aumento continuo de salários mas sim por um acesso fácil ao crédito e exploração de factores culturais.
Quando a bolha rebenta, porque não pode durar para sempre, quem tem dinheiro faz mais dinheiro e quem não tem dinheiro fica sem o pouco que tem. Porque? Porque não existe um sistema de educação acerca de economia/finanças. Em nenhuma parte do percurso escolar é ensinado como funciona e economia do mundo ou de um país. O que leva a pessoas adultas totalmente ignorantes acerca de algo tão simples mas importante como económica/finanças familiares. Tal como não há informação acerca dos perigos e vantagens dos vários produtos financeiros existentes. Daí não ser surpreendente que grande percentagem das famílias está endividada e sem poupanças. Não é ensinado o que se deve fazer com dinheiro.
Tal como não é surpreendente os ricos ficarem mais ricos em momentos de crise, pois é possível fazer dinheiro com mercados a subir tal como a descer! Principalmente a descer em que o investimento é altamente alavancado. Sabendo isto não é surpreendente que as crises sejam cíclicas e volta e meia tenha de acontecer uma.
A segunda, por Sir Ken Robinson, acerca do paradigma actual da educação.
Esta palestra fala na estandardização da educação que foi pensada na altura da revolução industrial. De momento a educação básica em vez de estimular as crianças e ensina-las a pensar, ou melhor, ensina-las a não perder a criatividade e ingenuidade cerebral (imaginação) que tão bem caracteriza uma criança, não, ensina-a a seguir o livro, a procurar uma solução e a obter uma formula que explique tudo e a não fazer perguntas.
Na minha opinião a morte das escolas profissionais e a existência de cursos e profissões não altamente qualificadas gerou a situação de que um jovem tira um curso e no fim não sabe fazer nada. O ensino primário deve ser altamente diversificado e com uma abordagem de educação não-formal, onde a criança deve aprender a ter pensamento critico, socializar e trabalhar em equipa, filtrar e analisar informação tal como a pesquisar e saber questionar, praticar a sua capacidade artística e musical e desenvolver certos capacidades matemáticas e intelectuais. Por exemplo não é aprender a tabuada através de decorar e repetição mas sim perceber o mecanismo inerente à tabuada e a como conseguir chegar a qualquer resultado analisando as suas parcelas.
No ensino secundário o jovem deverá ter uma percepção das suas capacidades e estilo de trabalho e também qual será o seu talento. Quando digo por talento o que o jovem tem prazer em fazer e naquilo que é bom, o que geralmente está relacionado. Com esses dados o jovem deverá ter acesso às suas futuras escolhas e lentamente a ser redireccionado para a sua vocação futura. Entretanto deverá ter acesso a educação como pessoa e cidadão, ter educação económica, financeira e politica. Se é permitido a um jovem votar com 18 anos, com 18 anos o jovem deverá ter capacidade para entender o sistema politico e formular o seu voto de forma independente e de acordo com aquilo que acredita.
Ao escolher um curso na universidade o jovem terá acesso a um curso altamente especifico e especializado onde o choque não será tão grande e facilmente efectuará tarefas por si mesmo com pensamento critico e criatividade. Hoje em dia é ensinado a pensar na universidade (quando é) e escrever um texto, efectuar uma pesquisa ou uma tarefa por si própria é um horror para qualquer caloiro.
Só assim uma pessoa pode estar preparada para o mercado de trabalho, seja quando sai do secundário ou do ensino superior. De momento um jovem que acabe o 12º não é nada, não tem capacidade nenhuma ou especificação para nada. E muitos dos cursos superiores são apenas uma continuação do ensino secundário.
Isto é a minha visão utópica. Quando digo que uma pessoa deve ser altamente qualificada e especializada não digo que só deverá saber fazer uma única coisa. Digo que deverá saber fazer uma coisa extremamente bem de modo a tornar-se um valor acrescentado e porque, de momento, é assim que o mercado trabalha. Se tiveres algo extra para oferecer és valorizado, se não vais fazer trabalho macaco. No entanto o sistema de ensino mata esta especificidade mas ao mesmo tempo não permite a uma criança/jovem desenvolver os seus possiveis talentos. A educação musical já não existe, para não falar de artes. Filosofia e psicologia devem estar quase (retórica por exemplo) e desporto idem idem. A forma como matemática é ensinada é um crime e história é ensinada by the book e de forma totalmente fechada.
Por outro lado o problema não é só no sistema educacional mas também no trabalho dos pais. Existe uma cada vez maior desresponsabilização do poder parental mas por outro lado os pais têm cada vez menos tempo livre para os filhos. A família está a ser dividida e isolada, para não falar das comunidades.
A primeira, por David Harvey, fala-nos da crise económica e das suas razões, sejam económicas ou culturais.
Esta palestra tenta explicar o porquê da crise e as suas consequências culturais. Também explica a razão corrente do capitalismo.
Como se sabe, o capitalismo necessita duma circulação de dinheiro continua e de um aumento de consumo continuo. Logo as pessoas necessitam de um continuo aumento de dinheiro disponível para o poder gastar. Como indicado isto foi efectuado não por um aumento continuo de salários mas sim por um acesso fácil ao crédito e exploração de factores culturais.
Quando a bolha rebenta, porque não pode durar para sempre, quem tem dinheiro faz mais dinheiro e quem não tem dinheiro fica sem o pouco que tem. Porque? Porque não existe um sistema de educação acerca de economia/finanças. Em nenhuma parte do percurso escolar é ensinado como funciona e economia do mundo ou de um país. O que leva a pessoas adultas totalmente ignorantes acerca de algo tão simples mas importante como económica/finanças familiares. Tal como não há informação acerca dos perigos e vantagens dos vários produtos financeiros existentes. Daí não ser surpreendente que grande percentagem das famílias está endividada e sem poupanças. Não é ensinado o que se deve fazer com dinheiro.
Tal como não é surpreendente os ricos ficarem mais ricos em momentos de crise, pois é possível fazer dinheiro com mercados a subir tal como a descer! Principalmente a descer em que o investimento é altamente alavancado. Sabendo isto não é surpreendente que as crises sejam cíclicas e volta e meia tenha de acontecer uma.
A segunda, por Sir Ken Robinson, acerca do paradigma actual da educação.
Esta palestra fala na estandardização da educação que foi pensada na altura da revolução industrial. De momento a educação básica em vez de estimular as crianças e ensina-las a pensar, ou melhor, ensina-las a não perder a criatividade e ingenuidade cerebral (imaginação) que tão bem caracteriza uma criança, não, ensina-a a seguir o livro, a procurar uma solução e a obter uma formula que explique tudo e a não fazer perguntas.
Na minha opinião a morte das escolas profissionais e a existência de cursos e profissões não altamente qualificadas gerou a situação de que um jovem tira um curso e no fim não sabe fazer nada. O ensino primário deve ser altamente diversificado e com uma abordagem de educação não-formal, onde a criança deve aprender a ter pensamento critico, socializar e trabalhar em equipa, filtrar e analisar informação tal como a pesquisar e saber questionar, praticar a sua capacidade artística e musical e desenvolver certos capacidades matemáticas e intelectuais. Por exemplo não é aprender a tabuada através de decorar e repetição mas sim perceber o mecanismo inerente à tabuada e a como conseguir chegar a qualquer resultado analisando as suas parcelas.
No ensino secundário o jovem deverá ter uma percepção das suas capacidades e estilo de trabalho e também qual será o seu talento. Quando digo por talento o que o jovem tem prazer em fazer e naquilo que é bom, o que geralmente está relacionado. Com esses dados o jovem deverá ter acesso às suas futuras escolhas e lentamente a ser redireccionado para a sua vocação futura. Entretanto deverá ter acesso a educação como pessoa e cidadão, ter educação económica, financeira e politica. Se é permitido a um jovem votar com 18 anos, com 18 anos o jovem deverá ter capacidade para entender o sistema politico e formular o seu voto de forma independente e de acordo com aquilo que acredita.
Ao escolher um curso na universidade o jovem terá acesso a um curso altamente especifico e especializado onde o choque não será tão grande e facilmente efectuará tarefas por si mesmo com pensamento critico e criatividade. Hoje em dia é ensinado a pensar na universidade (quando é) e escrever um texto, efectuar uma pesquisa ou uma tarefa por si própria é um horror para qualquer caloiro.
Só assim uma pessoa pode estar preparada para o mercado de trabalho, seja quando sai do secundário ou do ensino superior. De momento um jovem que acabe o 12º não é nada, não tem capacidade nenhuma ou especificação para nada. E muitos dos cursos superiores são apenas uma continuação do ensino secundário.
Isto é a minha visão utópica. Quando digo que uma pessoa deve ser altamente qualificada e especializada não digo que só deverá saber fazer uma única coisa. Digo que deverá saber fazer uma coisa extremamente bem de modo a tornar-se um valor acrescentado e porque, de momento, é assim que o mercado trabalha. Se tiveres algo extra para oferecer és valorizado, se não vais fazer trabalho macaco. No entanto o sistema de ensino mata esta especificidade mas ao mesmo tempo não permite a uma criança/jovem desenvolver os seus possiveis talentos. A educação musical já não existe, para não falar de artes. Filosofia e psicologia devem estar quase (retórica por exemplo) e desporto idem idem. A forma como matemática é ensinada é um crime e história é ensinada by the book e de forma totalmente fechada.
Por outro lado o problema não é só no sistema educacional mas também no trabalho dos pais. Existe uma cada vez maior desresponsabilização do poder parental mas por outro lado os pais têm cada vez menos tempo livre para os filhos. A família está a ser dividida e isolada, para não falar das comunidades.
14 de outubro de 2010
13 de outubro de 2010
Grupo Nacional ou Minoria Nacional II
Na minha opinião, quando se pergunta a um português a que grupo nacional ou a que minoria ele pertence, o português não sabe responder. Não compreende. Não existe estes conceitos na nossa cultura, no nosso pais. Mas a nossa historia até tem bastantes exemplos deles.
Provavelmente a resposta mais obtida será referir os distritos, o norte, o alentejo, o algarve, Lisboa e Porto. Mas estas diferenças regionais (que as há) formam uma minoria ou um grupo nacional? Um grupo étnico?
Quando eu pensei neste dilema perguntei a mim mesmo "Um portugues do norte tem alguma diferença seria de um portugues do sul?" No fundo somos todos portugueses. A identidade nacional é a mesma Não existe uma diferença séria. Custou-me bastante compreender este conceito e no fim conclui que para o nosso pais, pura e simplesmente não se aplica.
Esta questão surgiu-me durante um workshop na ONG onde vou efectuar o EVS. Ao discutir estereótipos e "prejudices" começou a aparecer a pergunta "qual é o teu grupo nacional? a que minoria pertences?". Imediatamente perguntei para definir o que é um grupo nacional ao que a minha resposta foi "Welcome to Vojvodina!".
Para mim um dos grandes choques culturais com a minha mudança para a sérvia foi ter ganho toda uma nova noção de interculturalidade, de minorias nacionais e étnicas que antes não possuia. Quando me perguntam como é a Sérvia/Balcãs a minha resposta é "It's a big mess". É uma miscelania de pessoas de grupos étnicos e religiosos misturados no mesmo local. Cada pais tem uma série de paises vizinhos. Quem sabe uma lingua de um pais da ex-jugoslavia sabe falar pessoas de todos os paises da ex-jugoslavia! Eu se me meter num comboio em 12h tenho mais de 10 capitais europeias nas mãos.
Na minha opinião, Portugal sofre de um auto-isolamento, enraizado na nossa cultura, nas nossas pessoas mas também na nossa geografia. Mas não na nossa história, excepto a história recente. Graças ao Salazar sofremos 40 anos de puro auto-isolamento. "Orgulhosamente Sós". Mesmo tendo entrado para a UE relativamente cedo, as pessoas de Portugal são culturalmente isoladas. Existe o estigma do estrangeiro, do emigrante, do imigrante. Tal como disse num post, só agora Portugal está a ter um refrescamento geracional que permite uma abertura para a Europa, um refrescamento em que a população activa é a população nascida no pós 25 de Abril e que não sabe o que é a censura, o isolamento.
Embora a nossa história não o demonstre, temos também um isolamento cultural, quase de sangue. Mesmo sendo um pais de imigrantes, não existe nenhuma minoria, nenhum grupo étnico em Portugal. Desde a expulsão dos jesuitas ao Salazar, quem vive em Portugal é Portugues. Somos educados desde a escola primária num ideal de que Portugal foi grande com os descobrimentos mas que isso já acabou. O D. Sebastião anda está para chegar.
Somos ensinados que Portugal é o pais mais velho da Europa, é o pais com as fronteiras mais velhas da Europa. Portugal não tem registo de conflitos internos desde...não sei, as invasões francesas? O reinado espanhol? A guerra civil entre D. Pedro e D. Miguel? E mesmo assim a soberania Portuguesa nunca foi verdadeiramente alterada. Os espahois estiveram aqui mas Portugal era Portugal, tinha era um rei Espanhol.
E agora vejo-me inserido numa região, num pais, numa provincia que é famosa por, até à II Guerra Mundial, ser conhecida por um terço da população ser Sérvia, um terço ser Alemã e um terço ser Húngara. Uma região que sofreu bastante com as duas guerras mundiais. Um país que até recentemente pertencia a uma confederação de paises que era um regime comunista (socialista?) renegado por Moscovo e que continha o melhor do mundo comunista e ocidental, onde as pessoas podiam movimentar-se à vontade e com um alto standard de vida.
Ainda não percebi como é que um unico homem, Tito, pode fazer isso mas até o Churchill gostava de tomar pequeno-almoço com ele. O problema foi quando Tito morreu e a Jugoslávia caiu e comunidade inteiras foram apanhadas em movimentos nacionalistas e declarações de independência. Não é possivel ou um grupo nacional querer declarar a sua independência quando não são o grupo maioritário, ou mesmo sendo, o processo não é pacifico com os outros grupos. E foi o que aconteceu, gerou-se conflito levando às guerras nos Balcãs.
Por isso hoje cada pessoa tem a sua história pessoal. A mistura foi sempre possível, seja entre sérvios, húngaros, albaneses, macedónios, bósnios (entre estes podemos pegar nos bosniaks (bósnios muçulmanos) bósnios croatas, bósnios sérvios), croatas, eslovenos, montenegrinos, romenos, búlgaros, gregos, turcos. Existem várias minorias nacionais reconhecidas na Sérvia: bosiak, bulgaros, Bunjevac, croatas, hungaros, Ashkali, Macedónios, Romenos e Ruthenos. Todos estes têm um assento na assembeleia de Vojvodina para defender os seus interesses e promover a interculturalidade.
Até pela história, os Balcãs foram divididos entre dois impérios: O império Austro-Hungaro e o império Otomano (Turco). Essas diferenças podem ser vistas, por exemplo, em Novi Sad em que a margem sul do rio Danúbio tem influencias Otomana e a margem norte tem influencia Austro-Hungara, por exemplo na arquitectura dos edifícios.
Portanto pergunto mais uma vez, caso se pretendesse fazer uma assembleia de minorias em Portugal, quais seriam?
Finalmente gostaria de concluir com o caso de Lisboa. Sendo uma capital Europeia esta pergunta e situação começa a fazer sentido. Embora as minorias ainda sejam recentes, as mais antigas são as comunidades africana que emigraram depois da guerra colonial, ou seja, têm 30 anos. Esta seria uma ideia interessante e importante para a situação lisboeta e para prevenir futuros conflitos. Porque de momento existem as comunidades africanas, as comunidades de leste, comunidade chinesa, indiana, etc.
Provavelmente a resposta mais obtida será referir os distritos, o norte, o alentejo, o algarve, Lisboa e Porto. Mas estas diferenças regionais (que as há) formam uma minoria ou um grupo nacional? Um grupo étnico?
Quando eu pensei neste dilema perguntei a mim mesmo "Um portugues do norte tem alguma diferença seria de um portugues do sul?" No fundo somos todos portugueses. A identidade nacional é a mesma Não existe uma diferença séria. Custou-me bastante compreender este conceito e no fim conclui que para o nosso pais, pura e simplesmente não se aplica.
Esta questão surgiu-me durante um workshop na ONG onde vou efectuar o EVS. Ao discutir estereótipos e "prejudices" começou a aparecer a pergunta "qual é o teu grupo nacional? a que minoria pertences?". Imediatamente perguntei para definir o que é um grupo nacional ao que a minha resposta foi "Welcome to Vojvodina!".
Para mim um dos grandes choques culturais com a minha mudança para a sérvia foi ter ganho toda uma nova noção de interculturalidade, de minorias nacionais e étnicas que antes não possuia. Quando me perguntam como é a Sérvia/Balcãs a minha resposta é "It's a big mess". É uma miscelania de pessoas de grupos étnicos e religiosos misturados no mesmo local. Cada pais tem uma série de paises vizinhos. Quem sabe uma lingua de um pais da ex-jugoslavia sabe falar pessoas de todos os paises da ex-jugoslavia! Eu se me meter num comboio em 12h tenho mais de 10 capitais europeias nas mãos.
Na minha opinião, Portugal sofre de um auto-isolamento, enraizado na nossa cultura, nas nossas pessoas mas também na nossa geografia. Mas não na nossa história, excepto a história recente. Graças ao Salazar sofremos 40 anos de puro auto-isolamento. "Orgulhosamente Sós". Mesmo tendo entrado para a UE relativamente cedo, as pessoas de Portugal são culturalmente isoladas. Existe o estigma do estrangeiro, do emigrante, do imigrante. Tal como disse num post, só agora Portugal está a ter um refrescamento geracional que permite uma abertura para a Europa, um refrescamento em que a população activa é a população nascida no pós 25 de Abril e que não sabe o que é a censura, o isolamento.
Embora a nossa história não o demonstre, temos também um isolamento cultural, quase de sangue. Mesmo sendo um pais de imigrantes, não existe nenhuma minoria, nenhum grupo étnico em Portugal. Desde a expulsão dos jesuitas ao Salazar, quem vive em Portugal é Portugues. Somos educados desde a escola primária num ideal de que Portugal foi grande com os descobrimentos mas que isso já acabou. O D. Sebastião anda está para chegar.
Somos ensinados que Portugal é o pais mais velho da Europa, é o pais com as fronteiras mais velhas da Europa. Portugal não tem registo de conflitos internos desde...não sei, as invasões francesas? O reinado espanhol? A guerra civil entre D. Pedro e D. Miguel? E mesmo assim a soberania Portuguesa nunca foi verdadeiramente alterada. Os espahois estiveram aqui mas Portugal era Portugal, tinha era um rei Espanhol.
E agora vejo-me inserido numa região, num pais, numa provincia que é famosa por, até à II Guerra Mundial, ser conhecida por um terço da população ser Sérvia, um terço ser Alemã e um terço ser Húngara. Uma região que sofreu bastante com as duas guerras mundiais. Um país que até recentemente pertencia a uma confederação de paises que era um regime comunista (socialista?) renegado por Moscovo e que continha o melhor do mundo comunista e ocidental, onde as pessoas podiam movimentar-se à vontade e com um alto standard de vida.
Ainda não percebi como é que um unico homem, Tito, pode fazer isso mas até o Churchill gostava de tomar pequeno-almoço com ele. O problema foi quando Tito morreu e a Jugoslávia caiu e comunidade inteiras foram apanhadas em movimentos nacionalistas e declarações de independência. Não é possivel ou um grupo nacional querer declarar a sua independência quando não são o grupo maioritário, ou mesmo sendo, o processo não é pacifico com os outros grupos. E foi o que aconteceu, gerou-se conflito levando às guerras nos Balcãs.
Por isso hoje cada pessoa tem a sua história pessoal. A mistura foi sempre possível, seja entre sérvios, húngaros, albaneses, macedónios, bósnios (entre estes podemos pegar nos bosniaks (bósnios muçulmanos) bósnios croatas, bósnios sérvios), croatas, eslovenos, montenegrinos, romenos, búlgaros, gregos, turcos. Existem várias minorias nacionais reconhecidas na Sérvia: bosiak, bulgaros, Bunjevac, croatas, hungaros, Ashkali, Macedónios, Romenos e Ruthenos. Todos estes têm um assento na assembeleia de Vojvodina para defender os seus interesses e promover a interculturalidade.
Até pela história, os Balcãs foram divididos entre dois impérios: O império Austro-Hungaro e o império Otomano (Turco). Essas diferenças podem ser vistas, por exemplo, em Novi Sad em que a margem sul do rio Danúbio tem influencias Otomana e a margem norte tem influencia Austro-Hungara, por exemplo na arquitectura dos edifícios.
Portanto pergunto mais uma vez, caso se pretendesse fazer uma assembleia de minorias em Portugal, quais seriam?
Finalmente gostaria de concluir com o caso de Lisboa. Sendo uma capital Europeia esta pergunta e situação começa a fazer sentido. Embora as minorias ainda sejam recentes, as mais antigas são as comunidades africana que emigraram depois da guerra colonial, ou seja, têm 30 anos. Esta seria uma ideia interessante e importante para a situação lisboeta e para prevenir futuros conflitos. Porque de momento existem as comunidades africanas, as comunidades de leste, comunidade chinesa, indiana, etc.
11 de outubro de 2010
Gay Parade - Belgrade
Ontem, dia 10 de Outubro de 2010, decorreu a "primeira" parada Gay Pride em Belgrado. Digo entre aspas porque a primeira que ocorreu foi em 2001 mas que foi interrompida por ataques e a policia não estava preparada para proteger os participantes.
Em 2009 planeou-se efectuar uma segunda parada mas, após inumeras ameaças violentas de organizações de extrema-direita, foi cancelada pelo governo por medo da violencia e sendo adiada para 10 de Outubro de 2010.
Portanto ontem, mais de 1000 pessoas compareceram e participaram na primeira parada Gay em Belgrado. Protegidos por mais de 5000 policias do corpo de intervenção, a parada foi efectuada com sucesso durante o planeado trajecto.
No entanto mais de 6000 elementos de organizações de extrema-direita, hooligans e vândalos em geral tentaram o ataque e semaram destruição e pilhagem pela cidade de Belgrado. 158 pessoas sofreram ferimentos, a grande maioria policias e 3 pessoas foram hospitalizadas. A policia prendeu 249 elementos dos quais o lider de um grupo de extrema-direita. Os prejuizos totais contam-se em 1 milhão de Euros. A sede do partido em poder, O partido Democrata, foi atacado, juntamente com a sede de televisão estatal, RTS. O caso mais irónico de ataque foi uma unidade móvel de rastreio de cancro da mama da televisão B92.
Apesar desta situação, a parada aconteceu. É um dia histórico e uma vitória para as organizações de defesa dos direitos do homem e de liberdade pessoal. No entanto esta parada tinha de acontecer por diversas razões. A UE imperou ao governo sérvio para apoiar e proteger a parada de modo a demonstrar o seu apoio e abertura à defesa dos direitos do homem. A candidatura da Sérvia à UE vai ser discutida em conselho europeu brevemente e apenas um país está na dúvida, a Holanda, devido aos criminosos de guerra da bósnia que ainda não foram capturados.
No entanto a igreja ortodoxa mostrou a sua vontade contra e 6000 pessoas a espalhar o caos e a desordem pela cidade é uma demonstração de que muita coisa ainda tem de mudar, principalmente na opinião pública. No entanto também ficou demonstrado que estes protestos são apenas uma desculpa para o vandalismo e as pilhagens e não tem nada a ver com homofobia. O problema está na força dos movimentos de extrema-direita que ainda existem e na opinião pública acerca destes assuntos.
Uma última nota acerca dos vários comentários que vi nas noticias de jornais portugueses, principalmente do Público. É incrível a ignorância e arrogância de quem comenta estas várias noticias, sendo que qualquer noticia sobre um país da "Europa do leste" é imediatamente relacionada com os prévios governos comunistas ou então vários comentários estereotipados e discriminatórios. Mas como se costuma dizer, em cada português existe um treinador de bancada e os comentários na Internet geralmente são para ignorar.
Em 2009 planeou-se efectuar uma segunda parada mas, após inumeras ameaças violentas de organizações de extrema-direita, foi cancelada pelo governo por medo da violencia e sendo adiada para 10 de Outubro de 2010.
Portanto ontem, mais de 1000 pessoas compareceram e participaram na primeira parada Gay em Belgrado. Protegidos por mais de 5000 policias do corpo de intervenção, a parada foi efectuada com sucesso durante o planeado trajecto.
No entanto mais de 6000 elementos de organizações de extrema-direita, hooligans e vândalos em geral tentaram o ataque e semaram destruição e pilhagem pela cidade de Belgrado. 158 pessoas sofreram ferimentos, a grande maioria policias e 3 pessoas foram hospitalizadas. A policia prendeu 249 elementos dos quais o lider de um grupo de extrema-direita. Os prejuizos totais contam-se em 1 milhão de Euros. A sede do partido em poder, O partido Democrata, foi atacado, juntamente com a sede de televisão estatal, RTS. O caso mais irónico de ataque foi uma unidade móvel de rastreio de cancro da mama da televisão B92.
Apesar desta situação, a parada aconteceu. É um dia histórico e uma vitória para as organizações de defesa dos direitos do homem e de liberdade pessoal. No entanto esta parada tinha de acontecer por diversas razões. A UE imperou ao governo sérvio para apoiar e proteger a parada de modo a demonstrar o seu apoio e abertura à defesa dos direitos do homem. A candidatura da Sérvia à UE vai ser discutida em conselho europeu brevemente e apenas um país está na dúvida, a Holanda, devido aos criminosos de guerra da bósnia que ainda não foram capturados.
No entanto a igreja ortodoxa mostrou a sua vontade contra e 6000 pessoas a espalhar o caos e a desordem pela cidade é uma demonstração de que muita coisa ainda tem de mudar, principalmente na opinião pública. No entanto também ficou demonstrado que estes protestos são apenas uma desculpa para o vandalismo e as pilhagens e não tem nada a ver com homofobia. O problema está na força dos movimentos de extrema-direita que ainda existem e na opinião pública acerca destes assuntos.
Uma última nota acerca dos vários comentários que vi nas noticias de jornais portugueses, principalmente do Público. É incrível a ignorância e arrogância de quem comenta estas várias noticias, sendo que qualquer noticia sobre um país da "Europa do leste" é imediatamente relacionada com os prévios governos comunistas ou então vários comentários estereotipados e discriminatórios. Mas como se costuma dizer, em cada português existe um treinador de bancada e os comentários na Internet geralmente são para ignorar.
7 de outubro de 2010
Balcãs: Sérvia - Kosovo
Existem várias situações de "conflicto" nos Balcãs:
Sérvia
A situação óbvia é o problema Sérvia - Kosovo. A declaração unilateral independencia do Kosovo em 2008, pela maioria albanesa tanto politica como social e populacional, com mais de 90% de população albanesa gerou um precedente único. Com a independência reconhecida por meio mundo, o governo Sérvio continua a tentar lutar pelo reconhecimento de que a declaração de independência foi ilegal e um ataque à soberania do seu país e aos cidadãos sérvios no Kosovo e que o Kosovo pertence à Sérvia, por variadas razões.
Presentemente já consigo perceber a situação do Kosovo por ambos lados da barricada. O Kosovo sempre foi uma província autónoma sérvia/jugosava excepto durante ambas guerras mundiais e que foi oferecida à Albânia durante a segunda guerra mundial, excepto a ponta norte. No entanto o kosovo sempre foi maioritariamente etnicamente albanês, sendo até o berço da resistência albanesa que levou à criação do estado independente de Albânia. Sempre uma região bastante disputada etnicamente, com o regime de Milosevic a maioria albanesa foi altamente reprimida levando à intervenção da NATO com os bombardeamentos da Jugoslávia que levaram à queda do regime de Milosevic e o controlo do Kosovo por forças das Nações Unidas, a famosa KFOR. Em 2008 o Kosovo declarou independência.
Não é difícil entender porque é que uma região onde 90% da população pertence a uma etnia que não à do país onde estão incluída declara independência unilateralmente. Principalmente se essa declaração tem o apoio dos USA e UK e é vista como um castigo à Sérvia pela guerra do Kosovo e regime do Milosevic. Por essa mesma razão não é difícil perceber que a Sérvia vê a independência do Kosovo como um roubo de território e um castigo politico do após guerra e como um perigo à sua soberania e cidadãos sérvios presentes no norte do Kosovo. Para a população sérvia serem vistos como os perdedores da guerra, os maus da fita, serem bombardeados unilateralmente pela NATO (USA?) e, no fim de tudo, perderem a região do Kosovo foi a gota de água.
No entanto o Kosovo não tem nenhuma importância estratégica, politica ou económica. Uma região extremamente pobre, sem recursos naturais e com variados conflitos étnico-religiosos. Com metade do mundo a reconhecer a independência do Kosovo, com os tribunais internacionais a reconhecerem a independência do Kosovo e com menos de 10% de população sérvia, o Kosovo é uma luta perdida.
De momento o grande ponto é que a questão do Kosovo é um entrave da Sérvia na União Europeia, que não poderá ser aceite como país candidato sem resolver esta questão primeiro. E resolver a questão do Kosovo significa que dirigentes sérvios sentem-se à mesa com dirigentes Kosovares e dialogar no sentido de aceitar o Kosovo como país independente. O actual presidente sérvio deu uma volta na sua acção e tudo aponta que isto poderá acontecer em breve. Com a Sérvia a ter entregue o draft de acesso à UE, com a Eslovénia já na UE e a Croácia como país candidato, a não inclusão na UE seria um rude golpe na economia e a continuação da isolação politica.
Para além da grande ferida que foi a declaração unilateral do Kosovo, a Sérvia, a meu ver, não tem nada a ganhar em continuar a luta.
Digo isto porque nem a Albânia quer o Kosovo. No momento de declarar a independência do Kosovo existiu a possibilidade de o Kosovo se juntar à Albânia. Obviamente que se isso se concretizasse seria quase uma declaração de guerra. A Albânia apoiou a independência mas mais que isso foi posto de parte.
De todos os Kosovares que conheci, a sua resposta a que nacionalidade eles possuem foi "Albanesa". Qualquer Kosovar se sente albanês (ou Sérvio). A imagem que me lembro da independência do Kosovo foi de ver pessoas a festejar com bandeiras Albanesas e dos USA. Existem avenidas chamadas "George Bush" ou "Tony Blair" em Pristina. Não existe ainda o sentido de nacionalidade Kosovar. Mas para um país com 2 anos e que agora mal começou a dar os seus primeiros passos, tudo pode acontecer.
Sérvia
A situação óbvia é o problema Sérvia - Kosovo. A declaração unilateral independencia do Kosovo em 2008, pela maioria albanesa tanto politica como social e populacional, com mais de 90% de população albanesa gerou um precedente único. Com a independência reconhecida por meio mundo, o governo Sérvio continua a tentar lutar pelo reconhecimento de que a declaração de independência foi ilegal e um ataque à soberania do seu país e aos cidadãos sérvios no Kosovo e que o Kosovo pertence à Sérvia, por variadas razões.
Presentemente já consigo perceber a situação do Kosovo por ambos lados da barricada. O Kosovo sempre foi uma província autónoma sérvia/jugosava excepto durante ambas guerras mundiais e que foi oferecida à Albânia durante a segunda guerra mundial, excepto a ponta norte. No entanto o kosovo sempre foi maioritariamente etnicamente albanês, sendo até o berço da resistência albanesa que levou à criação do estado independente de Albânia. Sempre uma região bastante disputada etnicamente, com o regime de Milosevic a maioria albanesa foi altamente reprimida levando à intervenção da NATO com os bombardeamentos da Jugoslávia que levaram à queda do regime de Milosevic e o controlo do Kosovo por forças das Nações Unidas, a famosa KFOR. Em 2008 o Kosovo declarou independência.
Não é difícil entender porque é que uma região onde 90% da população pertence a uma etnia que não à do país onde estão incluída declara independência unilateralmente. Principalmente se essa declaração tem o apoio dos USA e UK e é vista como um castigo à Sérvia pela guerra do Kosovo e regime do Milosevic. Por essa mesma razão não é difícil perceber que a Sérvia vê a independência do Kosovo como um roubo de território e um castigo politico do após guerra e como um perigo à sua soberania e cidadãos sérvios presentes no norte do Kosovo. Para a população sérvia serem vistos como os perdedores da guerra, os maus da fita, serem bombardeados unilateralmente pela NATO (USA?) e, no fim de tudo, perderem a região do Kosovo foi a gota de água.
No entanto o Kosovo não tem nenhuma importância estratégica, politica ou económica. Uma região extremamente pobre, sem recursos naturais e com variados conflitos étnico-religiosos. Com metade do mundo a reconhecer a independência do Kosovo, com os tribunais internacionais a reconhecerem a independência do Kosovo e com menos de 10% de população sérvia, o Kosovo é uma luta perdida.
De momento o grande ponto é que a questão do Kosovo é um entrave da Sérvia na União Europeia, que não poderá ser aceite como país candidato sem resolver esta questão primeiro. E resolver a questão do Kosovo significa que dirigentes sérvios sentem-se à mesa com dirigentes Kosovares e dialogar no sentido de aceitar o Kosovo como país independente. O actual presidente sérvio deu uma volta na sua acção e tudo aponta que isto poderá acontecer em breve. Com a Sérvia a ter entregue o draft de acesso à UE, com a Eslovénia já na UE e a Croácia como país candidato, a não inclusão na UE seria um rude golpe na economia e a continuação da isolação politica.
Para além da grande ferida que foi a declaração unilateral do Kosovo, a Sérvia, a meu ver, não tem nada a ganhar em continuar a luta.
Digo isto porque nem a Albânia quer o Kosovo. No momento de declarar a independência do Kosovo existiu a possibilidade de o Kosovo se juntar à Albânia. Obviamente que se isso se concretizasse seria quase uma declaração de guerra. A Albânia apoiou a independência mas mais que isso foi posto de parte.
De todos os Kosovares que conheci, a sua resposta a que nacionalidade eles possuem foi "Albanesa". Qualquer Kosovar se sente albanês (ou Sérvio). A imagem que me lembro da independência do Kosovo foi de ver pessoas a festejar com bandeiras Albanesas e dos USA. Existem avenidas chamadas "George Bush" ou "Tony Blair" em Pristina. Não existe ainda o sentido de nacionalidade Kosovar. Mas para um país com 2 anos e que agora mal começou a dar os seus primeiros passos, tudo pode acontecer.
3 de outubro de 2010
Kronos Quartet - Requiem for a Dream
Requiem For a Dream continua a ser um dos meus filmes preferidos. Então a banda sonora por Kronos Quartet...
1 de setembro de 2010
Letónia ou Latvia
Gostava de saber porque é que Letónia é Letónia numa data de línguas e em inglês é Latvia. Mas ok, tudo bem.
Ainda estou para perceber porque é que a moeda da Letónia é mais forte que o Euro, mas ok, tudo bem.
Letónia é um pais mais pequeno que Portugal, mas não muito mais, mas com apenas 2.5 milhões de habitantes o que lhe dá uma densidade populacional baixa! Ou seja, montes de espaço, florestas, campos, tudo é feito para os lados e não para cima.
Riga é uma cidade muito gira, mais concretamente a cidade velha que foi a qual visitei. Toda a gente sabe inglês, mas também toda a gente sabe russo. Quase 30% da população é russa, ouve-se o russo por todo o lado. Aliás, o russo só fala russo, vai a uma loja e toma lá russo. O que obriga os letónios (letões?) serem praticamente trilingues com a sua língua mãe, russo e inglês.
O facto de saber umas coisinhas em sérvio ajuda. O sérvio é uma língua eslava como o russo, ou seja, há muita coisa parecida. É engraçado ir na rua ou no autocarro e reconhecer algumas palavras em russo. Já o Letónia é uma língua eslava-báltica, ou seja, não é parecido com nada.
Depois de um boom enorme a partir de 2000 em que o PBI da Letónia disparou, a bolha rebentou com a crise de 2008 chegando a taxas de desemprego de 22% e actualmente tem uma taxa de desemprego maior que Espanha (e choramos nós com os nossos 11% que é quase igual a França, UK e Alemanha).
Apesar disso tudo 1Lvl equivale a 1.40€! Não é que as coisas sejam caras, é preciso procurar, como em todo o lado. Facilmente se come num restaurante por 40€ sem se dar por isso como se tem excelentes panquecas por 5€.
Depois de Riga fui para Liepaja, a terceira maior cidade, na costa com o mar báltico. Ora era metade de Agosto e já estava frio, chovia e uma ventania bruta. Mas vento a sério. Uma curiosidade naquela parte do mundo é que o céu, as nuvens, parecem diferentes (pelo menos a mim). O céu é mais aberto, as nuvens passeiam-se. É diferente, não sei explicar, se calhar é por ser mais a norte.
Mas é um pais muito simpático.
Ora a companhia aérea é a AirBaltic. Recentemente a AirBaltic abriu a linha Belgrado - Riga. Óptimo...até ao ponto que a partir de 1 de Setembro essa linha fecha. Como vinha a 26 não havia problema.
Já dentro do autocarro para o avião chega o aviso de que há problemas técnicos e era necessário esperar 20mins. Passado esses 20mins era necessário esperar mais 30mins. Obviamente que ao fim desses 30mins o voo foi cancelado.
Dirigindo-se ao balcão da AirBaltic a coisa é simples. Se o voo for cancelado por motivos não-alheios a companhia aérea, ou seja, mau tempo e cinzas de vulcões não contam, são obrigados a fornecer um novo voo, dormida num hotel se for preciso, transporte entre o hotel e o aeroporto e 2 refeições.
Visto que o próximo voo que tinha chegava a Belgrado as 23h30 e a essa hora não há autocarros para Novi Sad, decidi ir no dia seguinte. Portanto, hospedado no hotel de 4 estrelas da AirBaltic, shuttle bus de borla e 2 vouchers de 5Lvl (7€) para refeições. E pela primeira vez tive uma refeição num voo onde é preciso pagar para comer.
Chegado ao aeroporto de Belgrado descubro que já não existe o autocarro da JatAirways que fazia o trajecto do aeroporto - cidade por 250RSD (2.5€) e só existiam táxis. Táxis e burlões!
Tendo sido atacado por taxistas desesperados por um cliente, um gajo ter-me pedido 25€ para a cidade (segundo ele o aeroporto é a 25kms da cidade portanto 1€ por km é um bom preço) acabei de ir num taxo normal com taxímetro pagando 1400RSD (14€) e mesmo assim acho que fui roubado um bocadinho devido a tarifa. No táxi, visto que o gajo não falava inglês, fui obrigado a dialogar em sérvio (ou a tentar) ao que o gajo pergunta-se se sou...da Macedónia! Isto, meus amigos, é uma vitória! É como um estrangeiro ser confundido por um Brasileiro em Portugal!
Depois descobri que há um autocarro, o 72, que passa no aeroporto mas não na parte das chegadas. Ora bolas!
Ainda estou para perceber porque é que a moeda da Letónia é mais forte que o Euro, mas ok, tudo bem.
Letónia é um pais mais pequeno que Portugal, mas não muito mais, mas com apenas 2.5 milhões de habitantes o que lhe dá uma densidade populacional baixa! Ou seja, montes de espaço, florestas, campos, tudo é feito para os lados e não para cima.
Riga é uma cidade muito gira, mais concretamente a cidade velha que foi a qual visitei. Toda a gente sabe inglês, mas também toda a gente sabe russo. Quase 30% da população é russa, ouve-se o russo por todo o lado. Aliás, o russo só fala russo, vai a uma loja e toma lá russo. O que obriga os letónios (letões?) serem praticamente trilingues com a sua língua mãe, russo e inglês.
O facto de saber umas coisinhas em sérvio ajuda. O sérvio é uma língua eslava como o russo, ou seja, há muita coisa parecida. É engraçado ir na rua ou no autocarro e reconhecer algumas palavras em russo. Já o Letónia é uma língua eslava-báltica, ou seja, não é parecido com nada.
Depois de um boom enorme a partir de 2000 em que o PBI da Letónia disparou, a bolha rebentou com a crise de 2008 chegando a taxas de desemprego de 22% e actualmente tem uma taxa de desemprego maior que Espanha (e choramos nós com os nossos 11% que é quase igual a França, UK e Alemanha).
Apesar disso tudo 1Lvl equivale a 1.40€! Não é que as coisas sejam caras, é preciso procurar, como em todo o lado. Facilmente se come num restaurante por 40€ sem se dar por isso como se tem excelentes panquecas por 5€.
Depois de Riga fui para Liepaja, a terceira maior cidade, na costa com o mar báltico. Ora era metade de Agosto e já estava frio, chovia e uma ventania bruta. Mas vento a sério. Uma curiosidade naquela parte do mundo é que o céu, as nuvens, parecem diferentes (pelo menos a mim). O céu é mais aberto, as nuvens passeiam-se. É diferente, não sei explicar, se calhar é por ser mais a norte.
Mas é um pais muito simpático.
Ora a companhia aérea é a AirBaltic. Recentemente a AirBaltic abriu a linha Belgrado - Riga. Óptimo...até ao ponto que a partir de 1 de Setembro essa linha fecha. Como vinha a 26 não havia problema.
Já dentro do autocarro para o avião chega o aviso de que há problemas técnicos e era necessário esperar 20mins. Passado esses 20mins era necessário esperar mais 30mins. Obviamente que ao fim desses 30mins o voo foi cancelado.
Dirigindo-se ao balcão da AirBaltic a coisa é simples. Se o voo for cancelado por motivos não-alheios a companhia aérea, ou seja, mau tempo e cinzas de vulcões não contam, são obrigados a fornecer um novo voo, dormida num hotel se for preciso, transporte entre o hotel e o aeroporto e 2 refeições.
Visto que o próximo voo que tinha chegava a Belgrado as 23h30 e a essa hora não há autocarros para Novi Sad, decidi ir no dia seguinte. Portanto, hospedado no hotel de 4 estrelas da AirBaltic, shuttle bus de borla e 2 vouchers de 5Lvl (7€) para refeições. E pela primeira vez tive uma refeição num voo onde é preciso pagar para comer.
Chegado ao aeroporto de Belgrado descubro que já não existe o autocarro da JatAirways que fazia o trajecto do aeroporto - cidade por 250RSD (2.5€) e só existiam táxis. Táxis e burlões!
Tendo sido atacado por taxistas desesperados por um cliente, um gajo ter-me pedido 25€ para a cidade (segundo ele o aeroporto é a 25kms da cidade portanto 1€ por km é um bom preço) acabei de ir num taxo normal com taxímetro pagando 1400RSD (14€) e mesmo assim acho que fui roubado um bocadinho devido a tarifa. No táxi, visto que o gajo não falava inglês, fui obrigado a dialogar em sérvio (ou a tentar) ao que o gajo pergunta-se se sou...da Macedónia! Isto, meus amigos, é uma vitória! É como um estrangeiro ser confundido por um Brasileiro em Portugal!
Depois descobri que há um autocarro, o 72, que passa no aeroporto mas não na parte das chegadas. Ora bolas!
25 de agosto de 2010
Àgua
Ultimamente tenho pensado bastante na temática da àgua, mais concretamente no negócio da àgua engarrafada.
Quando era puto não tinha problema nenhum em ir a um café e pedir um copo de àgua, porque pura e simplesmente tinha sede. Tal como, várias vezes, o grupo ia aos vizinhos pedir para beber àgua da mangueira deles.
Hoje em dia pede-se àgua e vendem-os uma garrafa de àgua. A 1€ ou mais se for preciso. Vamos a um restaurante e bebe-se uma garrafa de litro.
Isto para mim sempre foi natural, queres àgua compras. Até começar a viajar.
Em Londre, num restaurante, pede-se àgua e podem dar um jarro de àgua da torneira. Em Novi Sad idem idem. Em muitos outros sitios também, geralmente até perguntam se o cliente quer engarrafada ou da torneira. É certo que em muitos cafés em Portugal está lá sempre o jarro e copos para quem quiser beber um copo de àgua. Tal como se pede um copo de àgua quando se bebe um café.
Quando estive em Lisboa andei muito a pé pois não tinha passe mensal dos transportes. Depois de ter comprado uma garrafa de àgua ao roubo de 1.10€, pensei que a conseguiria encher facilmente nos bebedouros públicos. Pensei mal. Hoje em dia os bebedouros públicos estão todos desligados.
Hoje em dia já faço questão de num restaurante pedir um jarro de àgua da torneira! A àgua é um bem público, livre e grátis! Antigamente existia uma rede de bebedouros e fontes públicas onde as pessoas enchiam os garrafões e cantaros com boa àgua! A nossa àgua de canalização é excelente!
Eu em casa só bebo àgua da torneira e nunca morri! Porque é que temos de estar a pagar por um bem que está facilmente à nossa disposição?
Para isso deixo-vos este video que explica todo o negócio da industria da àgua engarrafada.
Quando era puto não tinha problema nenhum em ir a um café e pedir um copo de àgua, porque pura e simplesmente tinha sede. Tal como, várias vezes, o grupo ia aos vizinhos pedir para beber àgua da mangueira deles.
Hoje em dia pede-se àgua e vendem-os uma garrafa de àgua. A 1€ ou mais se for preciso. Vamos a um restaurante e bebe-se uma garrafa de litro.
Isto para mim sempre foi natural, queres àgua compras. Até começar a viajar.
Em Londre, num restaurante, pede-se àgua e podem dar um jarro de àgua da torneira. Em Novi Sad idem idem. Em muitos outros sitios também, geralmente até perguntam se o cliente quer engarrafada ou da torneira. É certo que em muitos cafés em Portugal está lá sempre o jarro e copos para quem quiser beber um copo de àgua. Tal como se pede um copo de àgua quando se bebe um café.
Quando estive em Lisboa andei muito a pé pois não tinha passe mensal dos transportes. Depois de ter comprado uma garrafa de àgua ao roubo de 1.10€, pensei que a conseguiria encher facilmente nos bebedouros públicos. Pensei mal. Hoje em dia os bebedouros públicos estão todos desligados.
Hoje em dia já faço questão de num restaurante pedir um jarro de àgua da torneira! A àgua é um bem público, livre e grátis! Antigamente existia uma rede de bebedouros e fontes públicas onde as pessoas enchiam os garrafões e cantaros com boa àgua! A nossa àgua de canalização é excelente!
Eu em casa só bebo àgua da torneira e nunca morri! Porque é que temos de estar a pagar por um bem que está facilmente à nossa disposição?
Para isso deixo-vos este video que explica todo o negócio da industria da àgua engarrafada.
27 de junho de 2010
Turquia bane serviços Google
Segundo esta noticia, e pessoas que conheço que vivem na Turquia, a Turquia baniu vários serviços do Google. O Youtube já tinha sido banido em 2008, mas a censura continua.
A aparente razão? Ofensas ao Ataturk. Realmente o Ataturk é visto como um Deus pelos turcos.
Pergunto-me como é que um país assim está em estado de pré-adesão à UE. Pergunto-me para que queremos a Turquia de momento quando temos todos os paises dos Balcãs para recuperar, e que a meu ver, com mais prioridade de entrada do que a Turquia.
A aparente razão? Ofensas ao Ataturk. Realmente o Ataturk é visto como um Deus pelos turcos.
Pergunto-me como é que um país assim está em estado de pré-adesão à UE. Pergunto-me para que queremos a Turquia de momento quando temos todos os paises dos Balcãs para recuperar, e que a meu ver, com mais prioridade de entrada do que a Turquia.
22 de junho de 2010
Grupo Nacional ou Minoria Nacional
Estava aqui a pensar em escrever um grande post e explicações e experiências pessoais e links para a wikipedia e tal, que o gajo é muito inteligente.
Mas vou fazer uma brincadeira.
Quero que comentem com a vossa noção, como portugueses (ou como outra nacionalidade qualquer) a que grupo nacional pertencem? A que minoria?
O que é um grupo nacional? o que é uma minoria? Grupos nacionais ou minorias existem, para vocês, em Portugal?
Mas vou fazer uma brincadeira.
Quero que comentem com a vossa noção, como portugueses (ou como outra nacionalidade qualquer) a que grupo nacional pertencem? A que minoria?
O que é um grupo nacional? o que é uma minoria? Grupos nacionais ou minorias existem, para vocês, em Portugal?
19 de junho de 2010
Obrigado Saramago
Para aqueles que criticam e desdenham mas que nunca leram uma linha dele: não sabem nada de nada.
16 de junho de 2010
Sarajevo Siege
Uma galeria de fotografias tirandas durante o ataque a Sarajevo (1992-1996) que mostram a brutalidade e a vida extrema durante esses anos de guerra.
Depois de ler o "Sarajevo Survival Guide", (Amazon) um pequeno livro que, usando humor, mostra a vida e os truques que as pessoas tiveram de criar para sobreviver numa cidade completamente isolada do exterior.
Mais uma razão que me faz cada vez mais desejar ir a Sarajevo rapidamente.
Depois de ler o "Sarajevo Survival Guide", (Amazon) um pequeno livro que, usando humor, mostra a vida e os truques que as pessoas tiveram de criar para sobreviver numa cidade completamente isolada do exterior.
Mais uma razão que me faz cada vez mais desejar ir a Sarajevo rapidamente.
13 de junho de 2010
Cultural Shock
'Have you ever heard of culture shock?' he hissed.
'What's that?'
'It's what happens when people spend five hundred years trying to get a stone circle to work properly and then someone comes up with a little book with a page for every day and little chatty bits saying things like "Now is a good time to plant broad beans" and "Early to rise, early to bed, makes a man healthy, wealthy and dead," and do you know what the most important thing to remember about culture shock.' Rincewind paused for breath, and moved his lips silently trying to remember where the sentence had got to, 'is?' he concluded.
'What?'
'Don't give it to a man flying a thousand ton rock.'
'What's that?'
'It's what happens when people spend five hundred years trying to get a stone circle to work properly and then someone comes up with a little book with a page for every day and little chatty bits saying things like "Now is a good time to plant broad beans" and "Early to rise, early to bed, makes a man healthy, wealthy and dead," and do you know what the most important thing to remember about culture shock.' Rincewind paused for breath, and moved his lips silently trying to remember where the sentence had got to, 'is?' he concluded.
'What?'
'Don't give it to a man flying a thousand ton rock.'
26 de maio de 2010
Turquia
Ontem voltei da grande aventura que foi um intercâmbio juvenil na Turquia do qual fui o líder do grupo da Sérvia, juntamente com 3 raparigas.
O plano era ir de avião, como é habitual, mas à ultima da hora um dos participantes decidiu que não podia ir e, com os bilhetes já reservados, não foi possível cancelar ou alterar a reserva. Assim a ideia foi de ir de comboio, no Balkan Express, que faz Belgrado - Istambul, um dos antigos troços do Expresso do Oriente. Este comboio passa pela Bulgária, em Sofia, antes de se dirigir para Istambul. Após Istambul o plano era apanhar um dos dois comboios possíveis para Izmir.
E assim partimos numa viagem de 24h numa carruagem com as respectivas camas. O como era suficientemente bom, não tenho razões de queixa. Deu para ler o primeiro volume do Discworld, do Terry Pratchett, o que se revelou uma maravilhosa historia fantástica e humorística e que me obriga a procurar pelos próximos volumes.
Após paragem na estação de comboio de Sofia (pelo que vi da estação e das aldeias por onde a linha passava Bulgária é bastante pobre), chegamos à fronteira da Turquia. Após comprar o visto (preço varia consoante o país, Portugal = 15€, Sérvia = 10€, Canadá = 30€) foi-nos informado que o comboio não avançaria mais e que teríamos de fazer o restante percurso de autocarro até Istambul. Ok, tudo bem, assim foi.
Chegamos à estação de comboio de Istambul (bela estação) as 06h30. As bilheteiras abrem às 07h00 o que, em horário turco, significa 07h20. Quando estas abriram foi-nos informado que...não havia comboios durante todo o dia, não trabalhavam, vá-se lá saber porque. A solução então é ir de autocarro para Izmir. Mas onde fica a estação de autocarros?
Aqui é preciso fazer a ressalva que praticamente todos os funcionários de estações de transporte publico que encontrei falavam inglês, mas esta senhora dizia, no seu inglês, que a estação era não sei onde e que era preciso apanhar o eléctrico e o metro e mais não sei o que. Não estava a ajudar muito.
No entretanto um casal um pouco idoso mete conversa connosco, americanos de Florida, só pelo sotaque se notava. O homem sabia um pouco de turco e também queria ir para a estação de autocarros portanto decidimos juntarmos. Enquanto o homem perguntava a várias pessoas, a mulher decide que deviamos...rezar! E ela rezou ao almigthy lord na sua reza americana. Após isso começa a perguntar se somos religiosos (eu cá não!), onde começamos a rezar e a ter fé e pergunta...onde aprendemos inglês. Na escola??
Nesta altura confesso que estava perdido pois não sabia o que fazer. Decidimos ir fora da estação de comboios ver se encontrava-mos alguma coisa. Num quiosque perto comprei um mapa de Istambul e com esse mapa pedimos à senhora da bilheteira para nos indicar como ir à estação de autocarros. Assim foi. Era necessário amanhar um eléctrico e depois trocar para apanhar o metro saindo directamente na estação de autocarros.
A noção de estação de autocarro para os turcos é diferente pois sendo um pais gigantesco, e tendo uma boa rede de transportes, a maior parte do transporte efectua-se de autocarro (e dos bons e modernos). Esta estação de autocarros era gigantesca tenho mais de 100 postos de empresas de transporte, cada uma para o seu local.
Não foi difícil encontrar o posto para Izmir pois existe sempre alguém a perguntar para onde vamos e para direccionar para o posto (na esperança de receber alguma gorjeta). O preço dos autocarros é barato, por uma viagem de 8h para Izmir pagou-se 15-20€.
E aqui se entra no maravilhoso mundo dos autocarros na turquia. Os autocarros, primeiro que tudo, são modernos, 5 anos máximo. Têm TV, som, alguns até internet wireless. Todos os autocarros têm uma pessoa que controla os bilhetes, lugares, destino e...oferece agua, sumos, café, chá, bolos, e o famoso liquido bem-cheiroso para limpar as mãos. Melhor que num avião low-cost.
Quando se diz a um estrangeiro que se é português a conversa é automaticamente redireccionada para o futebol. Não há outra hipótese. No autocarro para Izmir o rapaz empregado diz "Benfica not good, Porto good". Hehehehe.
Chegados a Izmir fomos recebidos pelo pessoal da organização do intercâmbio. Não quero aqui escrever como foi o intercâmbio, os inúmeros problemas de organização que ocorreram e os momentos em que (curiosamente) me tornei impulsivo e assertivo e onde tomei posições.
Apenas posso dizer que todo o intercâmbio foi envolvido nos festejos do dia 19 de Maio, a data de nascimento de Ataturk, o fundador da Turquia e o seu primeiro presidente, que é venerado pelos turcos como herói nacional, data essa que foi transformada no dia da Juventude na Turquia. Nesse dia, por todo o pais, existem festejos e demonstrações desportivas e escolares por parte dos jovens. O grupo do intercâmbio participou nesse festejo, no estádio, perante umas 5mil pessoas, com uma simples dança. Posso dizer que tive a experiencia de me sentir oprimido, tal como se vivesse numa época ditatorial com demonstrações de poder quase-militar e patriótico (nacionalista?), com generais e presidentes da câmara a darem voltas ao estádio numa carrinha, com mais bandeiras turcas por metro quadrado do que quando Portugal foi à final do Euro 2004, com poemas e declarações da vida de Ataturk. Ouvi pessoas a compararem o evento com os eventos de Tito e Ceasescu. O líder do grupo da Roménia, que tem 31 anos, disse que presenciou um desses eventos de Ceasescu quando era novo e que a diferença era mínima.
Na volta o plano era seguir de comboio de Izmir para Istambul (no primeiro dia não trabalhavam mas agora sim) e seguir de comboio de Istambul para Belgrado como na origem.
Em Izmir apanhamos um, bom diga-se, comboio para Bandirma, comboio que demora umas 6h para percorrer uns 300kms. Bandirma é uma cidade que funciona de porto para Istambul existindo um Ferry para fazer a ligação. Assim que chegamos fomos à estação do ferry para obter os bilhetes. O problema é que existem poucos ferrys por dia e estavam todos esgotados! Mais uma vez a única opção é ir de autocarro até Istambul. Após perguntar onde apanhar o autocarro para Istambul fomos a uma pequena companhia de autocarros mas que tinham todos esgotados. Neste momento reparo que um grupo de 3 jovens também queria ir para Istambul e pus conversa com eles na medida de obter ajuda. Eles disseram que tinhamos de ir (novamente) para a grande estação de autocarros e tentar lá e que nos ajudariam. E assim foi. Na estação de autocarros só existia autocarro às 19h30 o que faria com que perdêssemos o comboio internacional que parte às 22h. Sem outra hipotese e após umas sms para a minha namorada um hostel estava reservado em Istambul.
Entretanto só um rapaz do grupo de jovens falava inglês mas ambos eram extremamente simpáticos e gentis. Na ida para Istambul foi necessário esperar uma hora pelo ferry o que fez com que chegássemos a Istambul as 2 da manhã! Ai a única opção seria ir de táxi para o hostel, informação que foi explicada pelo nosso novo amigo ao taxista. A viagem de taxi custou 50TL (25€), o taxista andava um bocado perdido e a perguntar a pessoas onde era o hotel, eu até telefonei para o hostel e pus o gajo do hostel a falar com o taxista mas lá conseguimos chegar ao destino. Claro que num taxi às 2 e tal da manhã em pequenas ruas de Istambul as raparigas estavam completamente apavoradas.
Lá passamos a noite no hostel e de manha fomos à estação de comboios para reservar os lugares no comboio internacional. Lá é nos dito que...o comboio internacional não estava em funcionamento por problemas na linha! Após algumas sms e algumas pesquisas na net (viva o wireless do burger king) descobrimos que tinhamos de ir para Sofia de bus e dai para Sérvia (bom, isto é o caminho que o comboio também faz). Compramos os bilhetes para as 20h30 o que dava tempo suficiente para apanhar o autocarro para a Sérvia às 7h em Sofia.
Passamos o dia a conhecer um pouco de Istambul, a Mesquita Sultan Ahmed (gigantesca e incrível no seu interior), a Hagia Sophia (estava fechada), algumas ruas e comida. Às 7h30 lá saímos do hostel com as bagagens para ir para a estação de autocarros. Neste momento preciso de dizer que o caminho que sempre percorremos anteriormente (Yusufpasa - Aksaray) obriga a caminhar por uma passagem subterrânea e o uma passagem aérea para fazer a ligação da estação de eléctrico e de metro. Devido às malas e às raparigas decidimos fazer o transbordo electrico-metro numas estações mais à frente (Zeytinburnu) mas que tem ligação directa com o metro na estação (mapa).
Ora isto é tudo muito bonito se a diferença de estações de eléctrico não fossem umas 10 estações. Após passar a estação de Yusufpasa apercebi-me imediatamente que o tempo seria muito curto, se não impossível, e comecei a ficar preocupado seriamente. Neste momento todos nós olhamos para a nossa direita e vemos...o rapaz que nos ajudou em Bandirma. Lá estava ele, impávido e sereno, cumprimentou-me com 2 beijos (tipico turco) e começo a explicar a nossa situação e se ele acha que dava tempo suficiente para ir de metro ou se seria melhor ir de táxi. Quando chegamos a Zeytinburnu ele diz para apanhar um táxi (faltavam 25mins). Explica ao taxista que temos de estar na estação de autocarros às 20h30 e para ir depressa. 4 pessoas entram no táxi, 4 malas fica na bagageira meia aberta com o elástico da bagageira a prender e lá segue o taxista para uma corrida em que tínhamos 20mins restantes. O taxista bem que apitou e acelerou e chegamos à estação pouco menos de 5mins antes. Paguei-lhe 30TL em vez das 25TL combinadas (quero lá saber) e conseguimos apanhar o autocarro para Sofia.
Após ficar 2 horas na fronteira Turquia - Bulgária, onde verificaram todas as malas e todos os cantos do autocarro e onde o policia búlgaro me pergunta para onde vou e ao responder sérvia me começa a falar em sérvio e eu a tentar responder, lá seguimos.
Em Sofia tivemos a sorte de ter um autocarro para Nis imediatamente e seguimos. Na fronteira Bulgaria - Sérvia, visto que era a única pessoa com passaporte UE e me perguntarem de onde vinha (Istambul) lá me fazem mostrar a mala para o famosos bagage control. Mais um visto de 3 meses na Sérvia e seguimos para Nis, onde trocamos de bus para Belgrado e finalmente outro bus para Novi Sad.
Depois desta maluca aventura onde houve momentos em que pensei que não conseguiria sair da Turquia deixo a minha lista de factos sobre a Turquia:
O plano era ir de avião, como é habitual, mas à ultima da hora um dos participantes decidiu que não podia ir e, com os bilhetes já reservados, não foi possível cancelar ou alterar a reserva. Assim a ideia foi de ir de comboio, no Balkan Express, que faz Belgrado - Istambul, um dos antigos troços do Expresso do Oriente. Este comboio passa pela Bulgária, em Sofia, antes de se dirigir para Istambul. Após Istambul o plano era apanhar um dos dois comboios possíveis para Izmir.
E assim partimos numa viagem de 24h numa carruagem com as respectivas camas. O como era suficientemente bom, não tenho razões de queixa. Deu para ler o primeiro volume do Discworld, do Terry Pratchett, o que se revelou uma maravilhosa historia fantástica e humorística e que me obriga a procurar pelos próximos volumes.
Após paragem na estação de comboio de Sofia (pelo que vi da estação e das aldeias por onde a linha passava Bulgária é bastante pobre), chegamos à fronteira da Turquia. Após comprar o visto (preço varia consoante o país, Portugal = 15€, Sérvia = 10€, Canadá = 30€) foi-nos informado que o comboio não avançaria mais e que teríamos de fazer o restante percurso de autocarro até Istambul. Ok, tudo bem, assim foi.
Chegamos à estação de comboio de Istambul (bela estação) as 06h30. As bilheteiras abrem às 07h00 o que, em horário turco, significa 07h20. Quando estas abriram foi-nos informado que...não havia comboios durante todo o dia, não trabalhavam, vá-se lá saber porque. A solução então é ir de autocarro para Izmir. Mas onde fica a estação de autocarros?
Aqui é preciso fazer a ressalva que praticamente todos os funcionários de estações de transporte publico que encontrei falavam inglês, mas esta senhora dizia, no seu inglês, que a estação era não sei onde e que era preciso apanhar o eléctrico e o metro e mais não sei o que. Não estava a ajudar muito.
No entretanto um casal um pouco idoso mete conversa connosco, americanos de Florida, só pelo sotaque se notava. O homem sabia um pouco de turco e também queria ir para a estação de autocarros portanto decidimos juntarmos. Enquanto o homem perguntava a várias pessoas, a mulher decide que deviamos...rezar! E ela rezou ao almigthy lord na sua reza americana. Após isso começa a perguntar se somos religiosos (eu cá não!), onde começamos a rezar e a ter fé e pergunta...onde aprendemos inglês. Na escola??
Nesta altura confesso que estava perdido pois não sabia o que fazer. Decidimos ir fora da estação de comboios ver se encontrava-mos alguma coisa. Num quiosque perto comprei um mapa de Istambul e com esse mapa pedimos à senhora da bilheteira para nos indicar como ir à estação de autocarros. Assim foi. Era necessário amanhar um eléctrico e depois trocar para apanhar o metro saindo directamente na estação de autocarros.
A noção de estação de autocarro para os turcos é diferente pois sendo um pais gigantesco, e tendo uma boa rede de transportes, a maior parte do transporte efectua-se de autocarro (e dos bons e modernos). Esta estação de autocarros era gigantesca tenho mais de 100 postos de empresas de transporte, cada uma para o seu local.
Não foi difícil encontrar o posto para Izmir pois existe sempre alguém a perguntar para onde vamos e para direccionar para o posto (na esperança de receber alguma gorjeta). O preço dos autocarros é barato, por uma viagem de 8h para Izmir pagou-se 15-20€.
E aqui se entra no maravilhoso mundo dos autocarros na turquia. Os autocarros, primeiro que tudo, são modernos, 5 anos máximo. Têm TV, som, alguns até internet wireless. Todos os autocarros têm uma pessoa que controla os bilhetes, lugares, destino e...oferece agua, sumos, café, chá, bolos, e o famoso liquido bem-cheiroso para limpar as mãos. Melhor que num avião low-cost.
Quando se diz a um estrangeiro que se é português a conversa é automaticamente redireccionada para o futebol. Não há outra hipótese. No autocarro para Izmir o rapaz empregado diz "Benfica not good, Porto good". Hehehehe.
Chegados a Izmir fomos recebidos pelo pessoal da organização do intercâmbio. Não quero aqui escrever como foi o intercâmbio, os inúmeros problemas de organização que ocorreram e os momentos em que (curiosamente) me tornei impulsivo e assertivo e onde tomei posições.
Apenas posso dizer que todo o intercâmbio foi envolvido nos festejos do dia 19 de Maio, a data de nascimento de Ataturk, o fundador da Turquia e o seu primeiro presidente, que é venerado pelos turcos como herói nacional, data essa que foi transformada no dia da Juventude na Turquia. Nesse dia, por todo o pais, existem festejos e demonstrações desportivas e escolares por parte dos jovens. O grupo do intercâmbio participou nesse festejo, no estádio, perante umas 5mil pessoas, com uma simples dança. Posso dizer que tive a experiencia de me sentir oprimido, tal como se vivesse numa época ditatorial com demonstrações de poder quase-militar e patriótico (nacionalista?), com generais e presidentes da câmara a darem voltas ao estádio numa carrinha, com mais bandeiras turcas por metro quadrado do que quando Portugal foi à final do Euro 2004, com poemas e declarações da vida de Ataturk. Ouvi pessoas a compararem o evento com os eventos de Tito e Ceasescu. O líder do grupo da Roménia, que tem 31 anos, disse que presenciou um desses eventos de Ceasescu quando era novo e que a diferença era mínima.
Na volta o plano era seguir de comboio de Izmir para Istambul (no primeiro dia não trabalhavam mas agora sim) e seguir de comboio de Istambul para Belgrado como na origem.
Em Izmir apanhamos um, bom diga-se, comboio para Bandirma, comboio que demora umas 6h para percorrer uns 300kms. Bandirma é uma cidade que funciona de porto para Istambul existindo um Ferry para fazer a ligação. Assim que chegamos fomos à estação do ferry para obter os bilhetes. O problema é que existem poucos ferrys por dia e estavam todos esgotados! Mais uma vez a única opção é ir de autocarro até Istambul. Após perguntar onde apanhar o autocarro para Istambul fomos a uma pequena companhia de autocarros mas que tinham todos esgotados. Neste momento reparo que um grupo de 3 jovens também queria ir para Istambul e pus conversa com eles na medida de obter ajuda. Eles disseram que tinhamos de ir (novamente) para a grande estação de autocarros e tentar lá e que nos ajudariam. E assim foi. Na estação de autocarros só existia autocarro às 19h30 o que faria com que perdêssemos o comboio internacional que parte às 22h. Sem outra hipotese e após umas sms para a minha namorada um hostel estava reservado em Istambul.
Entretanto só um rapaz do grupo de jovens falava inglês mas ambos eram extremamente simpáticos e gentis. Na ida para Istambul foi necessário esperar uma hora pelo ferry o que fez com que chegássemos a Istambul as 2 da manhã! Ai a única opção seria ir de táxi para o hostel, informação que foi explicada pelo nosso novo amigo ao taxista. A viagem de taxi custou 50TL (25€), o taxista andava um bocado perdido e a perguntar a pessoas onde era o hotel, eu até telefonei para o hostel e pus o gajo do hostel a falar com o taxista mas lá conseguimos chegar ao destino. Claro que num taxi às 2 e tal da manhã em pequenas ruas de Istambul as raparigas estavam completamente apavoradas.
Lá passamos a noite no hostel e de manha fomos à estação de comboios para reservar os lugares no comboio internacional. Lá é nos dito que...o comboio internacional não estava em funcionamento por problemas na linha! Após algumas sms e algumas pesquisas na net (viva o wireless do burger king) descobrimos que tinhamos de ir para Sofia de bus e dai para Sérvia (bom, isto é o caminho que o comboio também faz). Compramos os bilhetes para as 20h30 o que dava tempo suficiente para apanhar o autocarro para a Sérvia às 7h em Sofia.
Passamos o dia a conhecer um pouco de Istambul, a Mesquita Sultan Ahmed (gigantesca e incrível no seu interior), a Hagia Sophia (estava fechada), algumas ruas e comida. Às 7h30 lá saímos do hostel com as bagagens para ir para a estação de autocarros. Neste momento preciso de dizer que o caminho que sempre percorremos anteriormente (Yusufpasa - Aksaray) obriga a caminhar por uma passagem subterrânea e o uma passagem aérea para fazer a ligação da estação de eléctrico e de metro. Devido às malas e às raparigas decidimos fazer o transbordo electrico-metro numas estações mais à frente (Zeytinburnu) mas que tem ligação directa com o metro na estação (mapa).
Ora isto é tudo muito bonito se a diferença de estações de eléctrico não fossem umas 10 estações. Após passar a estação de Yusufpasa apercebi-me imediatamente que o tempo seria muito curto, se não impossível, e comecei a ficar preocupado seriamente. Neste momento todos nós olhamos para a nossa direita e vemos...o rapaz que nos ajudou em Bandirma. Lá estava ele, impávido e sereno, cumprimentou-me com 2 beijos (tipico turco) e começo a explicar a nossa situação e se ele acha que dava tempo suficiente para ir de metro ou se seria melhor ir de táxi. Quando chegamos a Zeytinburnu ele diz para apanhar um táxi (faltavam 25mins). Explica ao taxista que temos de estar na estação de autocarros às 20h30 e para ir depressa. 4 pessoas entram no táxi, 4 malas fica na bagageira meia aberta com o elástico da bagageira a prender e lá segue o taxista para uma corrida em que tínhamos 20mins restantes. O taxista bem que apitou e acelerou e chegamos à estação pouco menos de 5mins antes. Paguei-lhe 30TL em vez das 25TL combinadas (quero lá saber) e conseguimos apanhar o autocarro para Sofia.
Após ficar 2 horas na fronteira Turquia - Bulgária, onde verificaram todas as malas e todos os cantos do autocarro e onde o policia búlgaro me pergunta para onde vou e ao responder sérvia me começa a falar em sérvio e eu a tentar responder, lá seguimos.
Em Sofia tivemos a sorte de ter um autocarro para Nis imediatamente e seguimos. Na fronteira Bulgaria - Sérvia, visto que era a única pessoa com passaporte UE e me perguntarem de onde vinha (Istambul) lá me fazem mostrar a mala para o famosos bagage control. Mais um visto de 3 meses na Sérvia e seguimos para Nis, onde trocamos de bus para Belgrado e finalmente outro bus para Novi Sad.
Depois desta maluca aventura onde houve momentos em que pensei que não conseguiria sair da Turquia deixo a minha lista de factos sobre a Turquia:
- A Turquia impressionou-me bastante ao nível de desenvolvimento. É um pais bastante desenvolvido, rico, com transportes, infraestruturas, um pais moderno.
- A nível de natureza e paisagens é um país extremamente belo.
- Turquia é gigantesca e composta por 70 milhões de habitantes onde a maioria vive na costa. A parte este é composta por vilas e desertos e problemas com os curdos.
- Na minha grande opinião, o grande choque cultural da turquia é a religião e, principalmente, a sua sociedade patriarcal. Mais de 90% da população é muçulmana e o comportamento masculino em relação às mulheres.
- Embora veja na wikipedia que a poligamia esta abolida na Turquia, vários turcos nos disseram que têm 2 mulheres ou que conhecem pessoas com 2 mulheres. Na sociedade turca é o homem que manda. Por ex, numa das festas que fizemos houve homens turcos a darem dinheiro às raparigas que dançavam, facto que as chocou e indignou mas que para os homens turcos é algo extremamente normal.
- O exercito Turco é enorme e poderoso (segundo exercito da NATO) e muitos dos jovens vão e querem ir para o exército, e embora não tendo a certeza, acredito que seja obrigatória.
- Na Turquia é proibido consumir bebidas alcoólicas em público e espaços públicos. Por exemplo, as famosas casa de chá são interditas às mulheres.
- Ataturk é, como disse, visto como um herói nacional estando presente em todo o lado, a sua cara, as suas frases, a bandeira turca etc. Por este motivo os turcos são extremamente orgulhosos do seu pais e da sua nacionalidade. A bandeira turca é um símbolo nacional e facilmente ficam ofendidos caso a bandeira seja desrespeitada, por ex, umas raparigas do grupo sentaram-se em cima de uma bandeira turca e imediatamente foram chamadas à atenção.
- A cerveja turca, Efes, é extremamente boa.
- Os turcos não são pontuais e a sua noção de tempo é 10mins = 30mins.
- O respeitinho é muito bonito na Turquia e ter um encontro com o presidente da câmara ou com o director da universidade é uma honra.
- Istambul é uma cidade gigantesca, tendo entre 12 a 15 milhões de habitantes é a cidade mais larga do mundo. Istambul É a porta para o oriente e o mundo islâmico, sendo uma cidade bastante turística e também europeia.
- As ruinas de Ephesus, são impressionantes e que contém, supostamente, a residência final da Virgem Maria.
- Devido a serem muçulmanos os turcos não comem carne de porco. Isso não os impede de terem excelente Doner Kebab, kebab normal (o que os tugas conhecem por kebab não é mesmo kebab). Grande parte da sua alimentação é baseada em vegetais e arroz (sim, arroz). Iogurte também tem uma grande influencia, como o famoso Ayran, que é um iogurte um bocado para o azedo e bastante aguado mas bastante fresco.
- Uma das bebidas nacionais é o chá, que é bebido em todo o lado, por toda a gente em qualquer hora. É comum encontrar pessoas sentadas na rua a conversar e a beber chá.
- E sim, os turcos adoram mulheres loiras.
- Quando referi a poligamia, esta não é feita ao calhas. Para um homem ter mais que uma mulher tem de provar que as consegue sustentar. Cada uma tem a sua casa e a primeira mulher é a mais importante e o homem tem de passar tempo suficiente com ambas.
- Um dos exemplos da sociedade patriarcal é a entrada na mesquita onde as mulheres só podem entrar após os homens.
- Mais uma vez, os tugas no seu cantinho não têm noção do outro lado da Europa. Devido à enorme área do império otomano, muita da gastronomia, palavras, tradições e aspectos turcos são reflectidos nos países dos Balcãs e alguns países europeus de leste.
- O Youtube está bloqueado na Turquia, existindo uma versão oficial e controlada pelo governo.
16 de maio de 2010
12 de maio de 2010
Verdades La Palisse
Uma vez, durante o meu curso, um dos colegas do meu grupo colocou na conclusão do relatório algo como o seguinte
"Concluiu-se que o trabalho depois de feito foi mais fácil que o esperado"
Obviamente que levamos uma descasca do Engenheiro por colocar uma verdade à La Palisse, mas curiosamente nunca me esqueci desta frase.
É, quiça, um lema.
"Concluiu-se que o trabalho depois de feito foi mais fácil que o esperado"
Obviamente que levamos uma descasca do Engenheiro por colocar uma verdade à La Palisse, mas curiosamente nunca me esqueci desta frase.
É, quiça, um lema.
TheFunTheory.com
Chegou-me via Facebook vários videos do TheFunTheory.com.
Tirando já os apartes de ser "patrocinado" pela Volkswagen, que tendo as suas vantagens comerciais, porque não?, uma empresa é digna de fazer o que quiser e existe algo chamado Responsabilidade Social por parte das empresas, é engraçado ver como pequenas e criativas ideias podem fazer a diferença.
Mas melhor ainda é o processo de alguém chegar a determinada e especifica ideia criativa. E eu sei que já desmistifiquei muitos mitos relacionados com a minha criatividade, bolas, é de fazer a vénia.
Tirando já os apartes de ser "patrocinado" pela Volkswagen, que tendo as suas vantagens comerciais, porque não?, uma empresa é digna de fazer o que quiser e existe algo chamado Responsabilidade Social por parte das empresas, é engraçado ver como pequenas e criativas ideias podem fazer a diferença.
Mas melhor ainda é o processo de alguém chegar a determinada e especifica ideia criativa. E eu sei que já desmistifiquei muitos mitos relacionados com a minha criatividade, bolas, é de fazer a vénia.
9 de maio de 2010
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